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PUCRS
é referência nos estudos sobre estresse
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Pesquisar os fatores psicológicos, endócrinos e imunológicos no envelhecimento saudável foi o objetivo da tese de doutorado da bióloga Clarice Luz no Programa de Pós-Graduação em Gerontologia Biomédica da PUCRS, que contou com o financiamento do CNPq. Orientado por Moisés Bauer, professor da Faculdade de Biociências e pesquisador do Instituto de Pesquisas Biomédicas (IPB), o trabalho detectou que mesmo os idosos sem doenças e demonstrando felicidade apresentam mais estresse, depressão e alterações hormonais. A conclusão é que o processo de envelhecimento traz uma série de alterações que afeta a integridade de diversos órgãos, tecidos e sistemas corporais, entre eles o sistema imune. Ainda que o envelhecimento seja saudável, as pessoas sofrem mudanças emocionais significativas. |
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Com pesquisas como essa, a PUCRS torna-se referência internacional na área, destaca Bauer. O trabalho é inédito por tratar do envelhecimento saudável. Os resultados foram apresentados por ele no 5th World Congress on Stress, promovido pela Sociedade Internacional de Investigação do Estresse em Londres. Bauer foi o único palestrante da América Latina e coordenador de mesa. Na próxima edição da revista Stress, de Edimburgo, publicará artigo sobre o tema. Para
a tese, foram avaliadas 46 pessoas saudáveis de 60 a 91 anos que
não viviam em asilos e pareciam felizes. Os pesquisadores compararam
os dados com os de um grupo-controle formado por adultos de 20 a 40 anos
sem doenças. Houve avaliação psicológica e
detecção da presença de hormônios associados
ao estresse, como o cortisol (hormônio que tem efeito modulador
das defesas do organismo). Os idosos, mesmo saudáveis, apresentaram
aumento da produção de cortisol que, em excesso, causa osteoporose
e problemas de memória. Alguns médicos, especialmente nos
EUA, receitam a suplementação de DHEA (dehidroepiandrosterona),
que permite ganho de massa muscular, diminuindo a produção
de cortisol. Bauer acredita que deve haver cautela no uso. Outro aspecto
detectado também em idosos saudáveis é um declínio
da capacidade de os linfócitos (leucócitos envolvidos na
resposta inflamatória) multiplicarem-se. Isso gera menor defesa
contra infecção. Além disso, os linfócitos
dos idosos mostraram-se mais resistentes a drogas antiinflamatórias
(glicocorticóides), exigindo atenção dos médicos
na indicação da terapia adequada. Para o professor, os estudos realizados no IPB alertam para a necessidade de levar em conta a interligação entre os sistemas nervoso, endócrino e imunológico. “Ao longo da vida as pessoas passam por um somatório de estresses que desgastam o sistema nervoso central e podem causar doenças”, aponta Bauer. Explica que o estresse é uma forma de adaptação e proteção do corpo contra agentes externos e internos. No primeiro estágio (alarme), o organismo ativa o sistema neuroendócrino. No segundo (adaptação), são reparados os danos causados pela reação de alarme, reduzindo os níveis hormonais. Se o estresse continua, há o terceiro estágio (exaustão), que pode provocar o aparecimento de doenças, com a disfunção das defesas imunológicas. Quando isso torna-se repetitivo, o organismo fica desgastado. Os idosos têm mais dificuldades de reduzir a produção de cortisol e retornar ao estado pré-estresse. Bauer defende a necessidade de investir em grupos de convivência e na prevenção de abalos psicológicos, o que pode interferir na saúde. |
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Resultados
da Pesquisa
| IDOSOS
SAUDÁVEIS |
| 29%
acham-se inúteis e têm dificuldades de realização
de atividades diárias
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| ADULTOS
ENTRE 20 E 40 ANOS |
| 34%
preocupam-se com as relações de trabalho 20% estão estressados por exames universitários 20% apontam situação financeira 14% citam problemas familiares 12% preocupam-se com a sua situação com os parceiros |